domingo, dezembro 25, 2011

Cristo versus Noel ou o Amor versus o Cosumismo


Eu me lembro, em criança, de no segundo final de semana de dezembro, quando chegávamos para visitá-la, minha avó nos chamando para ajudar na montagem e arrumação da árvore de Natal. Depois de tudo pronto, era a hora de escolher onde pôr o presépio - geralmente optávamos em colocá-lo no hall de entrada da casa, para que todos vissem na chegada - e na saída - a Sagrada Família reverenciada pelos três reis-magos e os animais na manjedoura a fim de que não esquecessem do significado da festa que se aproximava.

Lembro também de como esperávamos por esse dia tão especial para nós: dia de uma solenidade divertida, entusiástica, aguardada o ano inteiro! De como ríamos com a colocação desajeitada dos enfeites na árvore e pela casa e, depois, dos rostos solenes quando a arrumação terminava. Ficávamos olhando a árvore e o presépio por um longo minuto que em nossas mentes de crianças durava uma eternidade da qual éramos retirados apenas pela voz de minha avó perguntando por que a estrela estava sobre a árvore, ou o menino Jesus, o Filho de Deus, ter nascido numa manjedoura, ou quem eram os reis-magos e o que cada um de seus três presentes - ouro, incenso e mirra - significavam. Já sabíamos, àquela altura, da história de cor e salteado, por isso, todos respondíamos quase que em uníssono, atropelando-nos uns aos outros no falar: “o ouro representa que Jesus é o Rei; o incenso que ele é divino; e a mirra é o perfume do seu futuro embalsamamento (confesso que demoramos muito a dizer esta última palavra corretamente)”.

Então, ela nos mandava pegar as caixas, vazias, mas embrulhadas em papéis de presente, e pô-las em redor da árvore. E quando perguntávamos: “nosso presente está aqui voinha?” Ela respondia: “só vai aparecer na noite de Natal” e nos dava um sorriso enigmático. Para nós, então, o presente viria de forma mágica, apenas não sabíamos como. Nunca nos disseram nem nos desdisseram que Papai Noel os traria ou que eles apareceriam ali por um pirlimpimpim recitado. Sabíamos apenas que estariam lá e que a magia do Natal estava bem além do ganhar presentes.

Nesta noite de Natal, tantos anos após o fim de minha infância, vendo o nosso presépio observado pelos olhos curiosos dos pequenos familiares, me pergunto como as outras famílias estão comunicando a data para as novas gerações; me pergunto o que essas novas gerações entenderão do Natal.

Embora a palavra por si só já diga tudo – Natal (do latim “natalis”, derivado de “natus”, passado particípio de “nasci”, nascer) significa nascimento -, parece que fica no ar a pergunta: nascimento de quê ou de quem? Para mim, a quem a história era contada todos os anos na arrumação da árvore e do presépio, é óbvio de que se trata do nascimento do Salvador, que pregou o amor ao próximo e a fraternidade como condições sine qua non para se entrar no reino dos Céus, para que deixássemos de ser simplesmente humanos e nos alçássemos às alturas da divindade. Mas hoje, assistindo a filmes e especiais de Natal na TV, caminhando pela cidade, passeando pelos shopping centers, lendo cartões natalinos e aceitando convites para ceias, a certeza da minha infância me aparece sob uma densa nuvem de névoas escuras sob a qual eu fico procurando uma resposta, mas tudo que vejo me confunde.

A troca de presentes despretensiosa que me foi transmitida como forma de demonstrar carinho pelo outro, se tornou uma imposição mercadológica cada vez mais cara; o “Noite Feliz” que nos dava a idéia de amor e fraternidade, deu lugar ao “Botei meu sapatinho na janela” apenas para lembrar de que é preciso ganhar presentes; os presépios nos shoppings já não se vêem mais, em seu lugar se tem fábricas de Papai Noel cada vez mais sofisticadas, o que numa leitura mais aprofundada significa dizer: para trás todo sentimento que não evoque o consumo! – a este propósito pode-se ler um texto que fiz há mais de um ano: http://marciowaltermachado.blogspot.com/2010/12/nem-uma-fita-nem-um-cartao-nem-uma-vela.html; as ceias em família e entre amigos, antes utilizadas para, pelo menos uma vez ao ano, nessa vida corrida que temos, reunir a todos numa alegria comum, se tornou apenas um motivo de embriaguês onde pais e filhos mal parecem se conhecer; nos especiais de TV e nos filmes o que nos dizem é que sem o Papai Noel, vestido com as roupas criadas pelos capitalistas e assumidas pela THE COCA COLA COMPANY, não existiria Natal ou este não teria sentido. Trocaram-se os anjos anunciadores da paz universal e da boa vontade entre os homens, pelos duendes da cultura nórdica, histericamente dedicados ao modo de produção fordista, ávidos por entregarem presentes às crianças em todo mundo na hora certa – ato desprovido de quaisquer significados espirituais, apenas mergulhado na idéia de produção e consumo. Nenhuma ou pouquíssima referência aos nobres sentimentos inspirados pela Natividade se fazem fora das igrejas e mesmo assim - talvez o que ainda seja mais chocante é saber que - há igrejas que, imbuídas do sentimento de anticristo (I João 4:2-3), fazem de tudo para demonizar a data natalina sob a alegação de que a Bíblia não diz quando nasceu o Salvador.

Por certo Jesus não nasceu no dia 25 de dezembro, historicamente sabemos que esse era o dia dedicado ao Solis Invictus Natalis – Nacimento do Sol Invicto -; sabemos também que os ortodoxos comemoram o Natal em 06 de janeiro, assim como que as pesquisas históricas e da arqueologia bíblica põem o nascimento de Cristo no dia 04 de outubro. Mas nada disso importa! Jesus poderia ter nascido no dia 30 de fevereiro, desde que se comemorasse a idéia que está por trás do seu nascimento, desde que se trouxesse à humanidade a mensagem que a data transmite. Há mais de 1500 anos comemoramos o Natal como a data que celebra a vitória do divino sobre o animalesco, do amor sobre a indiferença, da espiritualidade sobre o materialismo; comemoramos a fraternidade e o amor entre os povos de todas as nações e pessoas de todas as idades representados pela imagem dos reis-magos adorando ao menino Jesus. De maneira que o Natal se transformou no símbolo da reflexão, da observação interior, da transformação de atitudes, da renovação da vida que nos é transmitido apenas pela observação do nascimento de Jesus, o Rei dos reis, o Filho de Deus, numa manjedoura simples em Belém, coisa que um velho engordado pelo ideal consumista, montado num trenó voador e louco por jogar presentes pelas chaminés cobertas de neve de maneira alguma pode nos inspirar.

Deveríamos era mesmo aproveitar o 25 de Dezembro, o 06 de Janeiro, o 04 de outubro, ou qualquer data que celebre esse nascimento divinamente humano para permitir que mais uma vez a transformação resultante de nossa reflexão nos falasse das coisas inefáveis do amor antes que essa idéia se perca nos sacos de presentes e na neve artificial dos shopping centers.

Feliz Natal! Feliz Navidad! Felice Natale! Joyeux Noel! Happy Christmas! Hyvää Joulua! Veselé Vanoce!

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quarta-feira, outubro 12, 2011

Frango cozido ao molho de cenoura e beterraba

Ainda na dieta, resolvi mudar um pouquinho a cara do frango e fiz a receita a seguir, espero que vocês gostem ;).




Igredientes:

4 coxas e/ou sobrecoxas de frango
1 beterraba média
1 cenoura grande
6 colheres de extrato de tomate
2 sachês de Sazón
1/2 colher de chá de cominho
1 colher de chá de orégano
4 limões
1/2 copo de água


Modo de preparo:

Deixe o frango imerso no suco de 4 limões por pelo menos 2 horas  (adicione um pouco de água se preciso). Rale a cenoura e a beterraba e bata no liquidificador com um pouco de água até obter uma mistura homogênea.
Numa panela, ponha o extrato de tomate, o Sazón, o cominho e o orégano e misture (se preciso, coloque a água aos poucos para que o molho não fique muito grosso). Adicione a beterraba com a cenoura batidas, misture bem. Após isso, faça pequenos furos na carne e a cubra com o molho. Deixe descansar por alguns minutos (não precisa ser mais que 10 minutos).
Leve ao fogo e espere levantar fervura, então, cozinhe em fogo brando por aproximademente 40 minutos.
Sirva o frango com as folhas de rúcula e o coentro - as folhas dão um sabor extremamente bom quando mastigadas junto com a carne e o molho - e arroz branco. Não se esqueça que para começar o almoço uma salada  é sempre bem-vinda!
Bom apetite!

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domingo, setembro 18, 2011

Filé de merluza assado - receita diet

3 Postas de merluza (cada posta tem + ou - 90 Kcal)
2 colheres de sopa de cream cheese light Philadelphia (62 Kcal)
1 cebola
1 punhado de cebolinha
1 pimentão
6 limões grandes
4 tomates
1 punhado de salsa
1 punhado de hortelã
1 colher de extrato de tomate (6 Kcal)
Sal à gosto
1 colher de sopa de uvas passas (30 Kcal)
1 colher de sopa de sazón (aprx 3,5 Kcal)


(total aprx. = 190 Kcal)

Modo de preparo:
Deixe o peixe em suco de 4 limões por 2 horas. Após isso, ponha um pouco de sal sobre as postas, em ambos os lados. Corte algumas rodelas de cebola, tomate e pimentão e coloque-as na assadeira. Depois, cubra-as com as postas de peixe e acrescente mais cebola, pimentão e tomate em rodelas sobre o peixe (assim você evita que o peixe queime ou, dependendo da assadeira, que ele se grude nela). Cubra as postas com um fio leve de azeite de oliva, cubra a assadeira com papel laminado e leve ao forno por aproximadamente 20 minutos.


Molho:
Bata no liquidificador cebola,cebolinha, pimentão, tomate, salsa, hortelã, extrato de tomate, sal à gosto, cream cheese light Philadelphia e o sazón. Após ter obtido uma mistura uniforme, acrescente um pouco de água e leve ao fogo até esquentar o suficiente para ser servido com o peixe. antes de servir, acrescente as uvas passas ao molho.

O peixe pode ser servido com salada verde e arroz branco. Para beber, o suco de limão é uma boa opção.



Obs: Eu não coloco o molho verde diretamente sobre o peixe, prefiro pô-lo no prato e ir molhando o peixe nele.
Se você quiser, em vez do azeite de oliva, pode também pincelar o peixe com manteiga. 


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sexta-feira, agosto 19, 2011

Para Eunice Dias Brandão, com amor. / To Eunice Dias Brandão, with love.


(Scroll down the page for the English version)

Se meu coração tivesse asas, ele voaria
Apressado até onde os anjos moram
Para bater à sua porta, de manhazinha,
E ver de novo aqueles olhos de céu de meio-dia.

Ah! como eu queria novamente ouvir sua voz,
Seu carinho esquentando minha alma!
Sentar ao seu lado, calado, sentir de novo
Sua ternura, seu amor, sua calma.

Hoje acendi uma vela, fechei meus olhos e lembrei
De quando, afligido pelo medo da noite, em menino,
Sua mão macia segurando a minha maozinha
Era o conforto, a paz, o sono tranquilo.

As cantigas de ninar, o leite morno ao entardecer,
Os passeios à Beira-mar, tudo o que se quer ter!
Mas o tempo, ah o tempo!, com pés apressados,
Cruéis, corre feito loucos desvairados!

Foi outro dia mesmo que eu a vi sentada na sala vazia
A mente voando, tão longe, tão longe você ia
O tempo a levava, corria, na sua fronte eu via
Pedidindo a Deus que não fosse verdade que você partia.

Que saudade, titia, que eu tenho, que eu tinha!
De sentar com você e ouvir histórias de tempos passados,
Perdidos no tempo, de saber você ali, tão querida, tão minha,
Sem pensar que o tempo, que o tempo corria.

Essa solidão que a falta de você me traz
Essa vontade de voltar correndo lá atrás
No tempo que eu era menino
E que você me tomava pela mão, sorrindo,
E me dizia "meu anjo, meu lindo, nunca se esqueça de mim".

Se meu coração tivesse asas, ele voaria correndo
Para onde os anjos moram e bateria à sua porta
Devagarzinho pra não te assustar.
E lhe diria, lágrimas nos olhos, como agora, escorrendo,
"Parabéns, meu anjo, vamos festejar!"

Se meu coração tivesse asas, ele voaria
Lá pra onde os anjos moram
Voaria pra onde pudesse te encontrar.

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If my heart had wings, it would fly,
Hastily, to where the angels dwell
To knock on your door, at dawn,
And see those mid-day eyes once more.

Oh! How I wish I could again hear your voice
Your care warming my soul!
Sit beside you, in silence, just to feel
Your tenderness, your love, your lull.

Today I lit a candle, closed my eyes and remembered
When, in my childhood, haunted by the fear of the night,
Your soft hand holding my tiny little hand
Was the comfort, the peace, the sleeping tight.

The lullabies, the warm milk at dusk,
The strolls in Beira-mar, were all I could wish for!
But time, oh time!, with quick feet,
Cruel, always goes on a rampage at the door!

Just the other day I saw you sitting in the empty room
Your mind straying, you're going so far, so far away.
Time was taking you, flying by, I saw on your face
You were leaving! I prayed God it wasn't true.

How much, auntie, I missed and miss you!
I miss the time I sat by your side to listen to stories of yester years,
Of time lost in time; I miss knowing you there, so dear
Never thinking that time, time just ran by.

This solitude your absence causes me,
This desire to rush back to the time
I was a little boy
When you took me by the hand, with a smile,
And said: "my angel, my darling, forget me not".

If my heart had wings it would fly in a haste
To where the angels dwell and would knock on your door
Sweetly not to startle you.
And it would tell you, tears rivering from the eyes, like now,
"Happy birthday, my angel, let's celebrate!"

If my heart had wings, it would fly to where
The angels dwell,
It would fly where it would meet you.

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sexta-feira, junho 24, 2011

Obrigado, Jesus, por tudo. Kiitos, Jeesus, kaikesta.

(Scroll down the page for the English version)

Esses dias eu voltei aos meus estudos de finlandês os quais havia deixado de lado há alguns anos. Decidi retomar uma antiga prática minha - que se tornou conselhos que dou para os meus alunos todos os dias no final das aulas de línguas - e escutar música, muita música, na língua estudada a fim de expor o cérebro ao sistema fonético do idioma, memorizar palavras e estruturas mais rapidamente e aprender frases sem correr o risco de interferência forte da língua materna ou de absorver sotaques regionais dos falantes nativos - você já reparou que - salvos os casos de reafirmação cultural - não há sotaques em música, por mais "carregado" que o idioleto seja quando o sujeito fala? Até mesmo os gagos cantam sem gaguejar! Enfim, querendo aprender um idioma, ouça, memorize e cante música!

Me lembro que minha professora de italiano, Professoressa Marta, costumava pedir que os alunos dessem exemplos de palavras em determinadas funções (adjetivo, verbo, substantivo) para que ela as pusesse no quadro seguindo o alfabeto de A a Z. Toda vez que chegava minha vez de falar, ela dizia: e tu, cantore, puoi dire la parola adesso? (e vc, cantor, pode dizer a palavra agora?). Isso acontecia porque toda vez que eu chegava em sala, tinha estruturas ou palavras novas tiradas de músicas - e ela sabia.

Bem, esses dias fiquei pensando que tipo de música eu podia escutar em finlandês para memorizar mais rapidamente essas palavras cheias de vogais duplas, consoantes duplas, casos flexionais (15 deles!!! o Latim antigo só tinha 6...) Não sabia de nenhuma! Além do Nightwish, que canta em inglês, o que você conhece da música finlandesa? Não precisa pensar muito não, estamos no mesmo barco! NADA! NINGUÉM! COISA NENHUMA! Aí fiquei frustrado, porque não basta apenas escutar música, é melhor escutar uma música conhecida, apelar para a memória afetiva, reconhecer melodias. Mas nada de nada me lembra nada em finlandês.

Então fiquei pensando, pensando, pensando e me lembrei de uma música que o mundo inteiro conhece. Já a ouvi em diversos idiomas mundo afora e com certeza eu a encontraria em finlandês!!! Longa vida à Internet! Fui pesquisar e não encontrei. Pus no tradutor Google transformando do inglês (língua original da música) para o finlandês, do português para o finlandês, do italiano, espanhol... troquei adjetivos, substantivos, verbos de ligação e nada. Até que no último minuto, lá estava ela, tão fácil, tão acessivel! Era só não ser tão esnobe usando palavras do vocabulário clássico "Thou", "Tu", "Vous", um simples "Ele é grande" bastava. É claro que tive de mudar Tu para Ele, mas no final tudo foram melodias... equivocadas! Não encontrei a música que procurava, mesmo tendo encontrado o refrão! (se alguém conhecer, me avise!)

A música "Quão grande és tu" - se você já foi a alguma igreja cristã, se já leu o hinário cristão algum dia, se já assistiu a programas religiosos de TV  num desses dias aziagos e lentos, com certeza já escutou essa musiquinha bonita que diz: "Senhor meu Deus, quando eu maravilhado paro a pensar em Teu grandioso ser (...) com refrão "Quão grande és Tu, quão grande és Tu...". Tão simples, tão fácil, tão pequena, tão bonita! em Português! Porque as versões em finlandês, meu Deus, sem comentários.

Mas eu continuei procurando. Do Google passei para o Youtube. Ah maravilha das maravilhas! vídeos do mundo inteiro! Clipes, violões, shows! fiquei procurando músicas cristãs e esbarrei com um rapazinho de cabelos bagunçados tocando violão. Resolvi arriscar. Vamos lá, música finlandesa, pouco mais de um minuto, deve dar. Na hora que ele começou a cantar eu lembrei do som!! RAPAZ! essa música eu conheço, cantávamos na Igreja Batista no meu tempo de menino e agora aquele rapazinho finlandês estava cantando ela também. De imediato me identifiquei com ele, já era praticamente de casa. Aquele som, aquela reverência que ele faz ao cantar, o coração cheio de adoração - esta é a palavra mais apropriada ao contemplarmos sua expressão -, me lembrava de mim mesmo há alguns anos. Fiquei até de madrugada aprendendo a cantar, com o som nas alturas e o vizinho do lado batendo na parede.

Claro, a música é a mesma, mas a letra difere um pouco. Nossa versão diz "Vamos adorar a Deus", a deles diz "Obrigado, Jesus, por tudo". Mas adorar e agradecer  tem tudo a ver com Graça, com louvor, com alegria do coração. Eu agradeci por ter a oportunidade de ouvir essa música me trazer tão boas lembranças e por me ajudar a memorizar mais alguns sons e palavras finlandeses.

Afinal, poder agradecer a Deus por tantas coisas boas que nos chegam, e até mesmo pelas ruins que nos fazem mais fortes, mais esperançosos, é algo que deveríamos fazer todos os dias em português, finlandês ou qualquer idioma que vc queira falar, né não? - é, é sim!

Aqui vai a letra original em finlandês e a tradução livre que eu fiz:

Kiitos, Jeesus, kaikesta (2x)
Obrigado, Jesus, por tudo (2x)
Uudelleen mä toistan tunteen sydämen
Repito de todo coração
Kiitos, Jeesus, kaikesta.
Obrigado, Jesus, por tudo.
Sä saavuit elämään toit valon sisimpään
Chegaste em minha vida trazendo luz ao meu ser
Niin rikkaan elämän mä tunsin löytyvän
(E) Uma vida cheia de riquezas eu encontrei
En hiljaa olla voi kun sielussani soi
Não consigo me calar de tanta alegria na minha alma
Kiitos Jeesus kaikesta.
Obrigado, Jesus, por tudo.
video

E a versão original em português, sem tradução para o finandês (descullppeem, anteeksi):

Vamos adorar a Deus (2x),
Vamos invocar o Seu nome,
Vamos adorar a Deus.
Ele veio em minha vida num dia especial,
Trocou meu coração por outro sem igual,
E esta é a razão porque eu canto assim:
Vamos adorar a Deus.

Um dia cheio de paz e graça pra todo mundo (nossa, ficou apostólico isso aqui)

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Obs: escutem-no cantar, é bem legal.

THANK YOU, JESUS, FOR EVERYTHING. KIITOS, JEESUS, KAIKESTA.

These days I decided to restart my studies of the Finnish language, which I had abandoned some time ago. I decided to take back an old practice of mine – which became some sort of advice I give my students at the end of each of our languages classes – and listen to music, much music, in the language we’re studying so that we can expose the brain to the phonetic system of the language, memorize words and structures more quickly and learn sentences without the risk of a strong interference from our mother language or of absorbing the regional accents of native speakers – have you noticed that – except for the cases of cultural reaffirmation – there’s no accent in music, however thick the idiolect is when the person speaks? Even those who stammer or stutter have a perfect command of their uttering when singing! In a nutshell, if you want to learn a language, listen to, memorize and sing music!

I now remember that my old Italian teacher, Professoressa Marta, used to ask her students to give examples of words in a given function in the sentence (adjective, verb, noun) for her to put them on the board in the A to Z order. Every time it was my turn to speak, she would say: e tu cantore, puoi dire la parola adesso? (and you, singer, can you say the word now?). That happened because every time I got to class, I had new words and structures I’d gotten from new songs – and she knew that.

Well, these days I kept thinking about what kind of music I could listen to in Finnish to memorize more quickly those words full of Double vowels, Double consonants, flexion cases (15 of them!! Old Latin had only 6…) I didn’t know any! Besides “Nightwish”, who sing in English, what do you know about Finnish music? C’mon, no need to think much, we’re in the same boat! NOTHING! NOBODY! NADA! So, I got frustrated, because it’s not enough to listen to music, it’s better to resort to known music, to appeal to the emotional memory, recognize melody. But nothing from nothing brings back anything to my mind in Finnish.

Thus, I thought, thought, thought a little more and remembered a song that’s known world wide. I have heard it in various languages around the world and I was sure to find it in Finnish! Long live the Internet! I started researching, but didn’t find it. Tried the Google translator from English (the original language of the song) to Finn, from Portuguese to Finn, from Italian, from Spanish... changed adjectives, nouns, copula verbs and nothing worked. When, in the last minute, there it was, so easy, so accessible! I just needed to have used simple, plain words instead of classical snobbish vernacular like “Thou”, “Tu”, “Vous”, a simple “He is great” would have done it. Of course I had to change “You” for “He”, but in the end everything was melodies… mistaken ones at that! I didn’t find the song I was looking for, even having found the chorus of it! (If anybody knows it, please tell me!)

The song ‘How great Thou art” – If you have ever been to a Christian church, If you have read Christian hymn books, or watched one of those gospel TV shows on one of those lazy and slow days, you have surely heard this cute little song which says: “Oh Lord my God when I in awesome wonder (…)” and the chorus “How great Thou art, how great Thou art…”. So simple, so easy, so short, so cute! In English! Because the Finnish versions I found, my God, were too big to comment.

But I kept on looking for the real one. From Google I went to Youtube. Oh! Wonder of wonders! Videos from all over the world. Clips, guitars, concerts! I kept on searching for gospel songs and stumbled across a young man with disheveled hair playing his guitar. I took my chances. Let’s see, Finnish music, a little more than one minute long, that’ll do, I thought. As he started to sing I instantly recalled that sound to mind! MAN! That song I was sure to know, we used to sing it at the Baptist church I attended when I was little, and now that young Finnish man was singing it too. I immediately related to him, we were practically akin. That sound, that reverence of his in his singing, that heart full of adoration, - that’s the most appropriate word to say as we watch his face -, reminded me of myself some years ago. I stayed up until 1 or 2 a.m. learning to sing that song, loud speakers speaking really loudly and my neighbor hitting the wall.    

Of course, the song is the same, but the lyric differ a little bit. The Portuguese version says “Let’s worship the Lord”, whereas theirs says “Thank you, Jesus, for everything”. But worshipping and thanking have everything to do with Grace, praising, heart bliss. I thanked for having had the opportunity to listen to this song bring back so many good memories and help me memorize some more Finnish sounds and words.

After all, being able to thank God for so many good things that come to us, and even for the bad ones that make us stronger, more full of hope, is something that we should do every single day in Portuguese, English, Finnish or whatever language you want to speak, isn’t it? – yep, it is!

Here  you’ll have the original lyric in Finnish and a free translation I did:

Kiitos, Jeesus, kaikesta (2x)Thank you, Jesus, for everything (2x)
Uudelleen mä toistan tunteen sydämen
I repeat from all my heart
Kiitos, Jeesus, kaikesta.
Thank you, Jesus, for everything
Sä saavuit elämään toit valon sisimpään

You came into my life bringing light to my being
Niin rikkaan elämän mä tunsin löytyvän
And my life became full of richness
En hiljaa olla voi kun sielussani soi
I can’t be silent because my soul is ringing with happiness

Kiitos Jeesus kaikesta.
Thank you, Jesus, for everything

Watch his singing and have a great day full of grace and peace! (oh My! we're getting so apostolical here)

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P.S: DO YOU KNOW THE ORIGINAL ENGLISH VERSION FOR THIS SONG? PLEASE TELL ME ;)

sexta-feira, maio 27, 2011

Noite de autógrafos DE DOR E DE SONHOS

A Saraiva MegaStore do Shopping Salvador nos traz em 27/05/2011, às 19h, o coquetel de lançamento do livro DE DOR E DE SONHOS do professor, poeta e contista Márcio Walter Machado. O autor, que já nos emocionou com outras obras literárias, nos brinda agora com histórias cotidianas contemporâneas vividas por personagens que, embora fictícias, têm muito a ver com o dia-a-dia de nossa sociedade, da qual, aliás, o autor retira sua inspiração.

O livro, que tem selo independente e será vendido pelo valor de R$20,00, é narrado de tal forma a nos fazer, através de seus 23 contos, mergulhar num universo em que a nossa própria imagem parece ser refletida no espelho ao passo em que as personagens vivem histórias em tramas nas quais sonhos, incertezas, violência, angústias espirituais e primeiros amores saltam para fora das páginas e nos encantam, nos levando a refletir sobre e em nós mesmos, num convite a irmos além das dores que assolam nossa contemporaneidade e a resgatar os sonhos lá do fundo de cada um de nós.

DE DOR E DE SONHOS é um livro de cabeceira, daqueles que nos dão a sensação de que suas cento e doze páginas poderiam ser triplicadas antes que pudéssemos guardá-lo.


quinta-feira, fevereiro 17, 2011

A beleza está lá fora

Não me lembro em qual de seus livros eu li, mas me lembro nitidamente da sensação de choque e frustração que Nietzsche me causou ao dizer que ler um livro de manhã cedo, enquanto a vida rebrotava lá fora, era obsceno.


Eu, professor de literatura, metido a escritor nas horas vagas, aspirante a filósofo fiquei aturdido com o grande F.N. propor que se largasse de lado a literatura e mesmo a chamasse de obscenidade! É claro que minha reação foi dizer para mim mesmo: que Nietzsche era louco varrido todo mundo sabe, deixa ele pra lá e vamos continuar lendo!


No entanto, esses dias, voltando da formatura de um ex-aluno, as palavras do bigodudo do F.N. voltaram à minha mente como fantasmas errantes que não querem sair de onde estão e arrastam correntes, e fazem "bu", e empurram corpos pelo chão.


Eu lia um livro de contos de Rubem Alves, com a cortininha da janela ao lado fechada enquanto meu ônibus cortava a estrada ladeada por mata atlântica e fazendas de cacau. Eu lá, concentrado nas letras do boníssimo professor enquanto a natureza passava ao meu lado, sem que eu me desse conta; a Mata Atlântica, talvez em seus últimos resquícios, passando despercebida por meus olhos que teimavam em não se deslocar do papel amarelado impresso em tipografia preta, tinta cinza, nas páginas que passavam e que só pararam de dançar nas minhas retinas autômatas quando a voz de uma criança, excitadamente maravilhada, ecoou dizendo, "mainha, olha lá um monte de miquinhos na árvore".


Há tanto tempo não via um miquinho! há tanto tempo não via um pé de cacau ou de café! há tanto tempo não via um ipê amarelo! há tanto tempo não via a natureza verde de verdade juntinho de mim, que eu pus o meu Rubem Alves de lado, abri a cortininha do ônibus e olhei! Mas olhei com olhos extasiados, como aquela criança que chamara a atenção de sua mãe e de todo o ônibus pela alegria, pela surpresa enorme de ter visto um miquinho na árvore verde no meio da estrada - por certo ela, como eu, estava com os olhos carregados do concreto de Salvador, dos prédios crescendo em todos os lugares, já nem lembrava do verde da Paralela ou do Cabula, que vem sendo destruído impiedosamente para abrigar os condomínios de luxo, ou melhor, as Gottham City modernosas. Gottham Cities que levantam seus muros-fortalezas para manterem ao longe a leva de favelados que cresce a cada dia em seu entorno...


E os miquinhos foram ficando para trás, perdidos no meio da mata verde e densa, de onde eu ousei inspirar profundamente aquele ar puro, aquele cheiro de terra e orvalho e vento puro que todo o meu corpo sentia até ouvir a voz de minha consciência me pedindo que olhasse para o outro lado, onde jazia solitário o meu livrinho de palavras tão sábias, de contos tão gostosos de se ler.


Eu tomei meu Rubem Alves na mão e disse: "Professor, o senhor me perdoe, suas 'Estórias de quem gosta de ensinar' são maravilhosas, mas agora, vou deixar minha alma ser preenchida pelo livro da natureza, pela 'aura mediocrita' e pelos ecos do 'fugere urbem' que a contemplação da vida me traz. Vou ficar aqui, contemplando as árvores que passam, as antigas fazendas de cacau, um bichinho no mato, o vendedor de água em algum desses postos perto de uma cidade, a cidadezinha ficando para trás, os rios e córregos que seguem seu curso eterno, e mesmo a nuvem que nunca mais será formada igual. Mas prometo, à noite, no silêncio sonolento das paredes brancas do meu quarto, eu volto a lê-lo com prazer. Porque agora o que vale mesmo é trocar o cinza pelo colorido da Costa do Cacau, da Costa do Dendê e da vida, rebrotando ao redor, porque de manhã chega a ser obsceno ler um livro quando tudo está nascendo.