sábado, dezembro 26, 2015

Europa em 60 dias - Lisboa, Portugal - Parte II

Planejar o roteiro em Lisboa é muito fácil, uma vez que coisas para ver e fazer são o que não faltam. Primeiro, porque Lisboa é uma cidade muito antiga, cheia de monumentos e ruelas estreitas e longas a serem explorados; segundo, porque ela é vibrante de dia e de noite com seus bares, pastelarias, shows e apresentações em restaurantes e ao ar livre. Parece que nunca há falta do que fazer e a cidade fervilha de vida.

Mapa de um dos meus roteiros no Google maps. Dessa forma
se pode calcular as distâncias entre os pontos turísticos.
 Para começar o meu roteiro, fui ao Youtube buscar alguns vídeos turísticos dentre os quais, me lembrei das famosas “Crônicas do JH”. Toda a alienação da Rede Globo à parte, os correspondentes do Jornal Hoje fazem matérias maravilhosas sobre os lugares onde eles estão (no final deste post, porei os links para os vídeos e blogs que mais me ajudaram a preparar meus roteiros na cidade de Fernando Pessoa). Outra ajuda que tive na preparação do meu roteiro veio do Google maps. Não apenas pela praticidade de andar em 3D pelo percurso desejado e previamente saber onde iremos pisar (e o que evitar), mas também por ajudar a calcular a distância entre um ponto no mapa e outro e, desta forma, pouparmos tempo e dinheiro com locomoção. Em Lisboa, como disse anteriormente, os pontos turísticos mais importantes estão todos próximos do meu hostel e de lá, pude fazer quase todos os percursos a pé.

Aliás, como vocês já sabem, eu adoro andar pelas ruas das cidades onde estou, pois assim tenho a sensação de pertencer ao local e a oportunidade de ver coisas que não veria de dentro de um veículo, tais quais placas indicativas de momentos ou personalidades históricos que ocorreram ou viveram por aquelas ruas. Outro barato das caminhadas é poder entrar em contato com as pessoas locais ou turistas e puxar um papo, sentar num café, ouvir/ver um artista de rua (eles estão por todos os lugares na Europa). E em Lisboa, especialmente, caminhar pelas calçadas de pedrinhas brancas ou ruas de paralelepípedos, subir as ladeiras centenárias e contemplar as milhares de variedades de azulejos das fachadas das casas e casarões antigos é uma experiência imperdível mesmo para quem vem de cidades de arquitetura Barroca/Rococó no Brasil.
Um bondinho fazendo as vezes de elevador entre
a parte baixa e alta de Lisboa
Eu, que toda semana faço minhas caminhadas pelo centro histórico de Salvador, não consegui perder a experiência. Mas, se você é do tipo personagens humanos de Wall-y, não se preocupe, o sistema de transporte integrado é muito bom e com um cartão para o dia (ou dias) você pode usar quase todos os meios de transporte, e o valor será debitado apenas da primeira vez que você o validar a cada dia. Assim, pode-se ir de metro (metrô), comboio (trem), autocarro (ônibus), elétricos (bondes), e... tuc-tuc! Sim, Lisboa está cheia deles por todos os cantos turísticos! Motoristas muito simpáticos e divertidos te levam a passear pelos cantos importantes da cidade enquanto te divertem com histórias - mas atenção, não se pode dar umas voltas de tuc-tuc com o mesmo cartão do metrô, você tem de pagar em dinheiro.

Eu, particularmente, evitei pegar transporte. Na verdade, só peguei um elétrico no dia que fomos ao castelo São Jorge (outro roteiro IMPERDÍVEL), porque meu amigo Johann - a quem não via desde o Réveillon 2013/2014 em  Paris, (http://marciowaltermachado.blogspot.ro/2015/09/reveillon-em-paris-uma-cronica-parte-i.html) tinha vindo me visitar e ia embora naquele dia, daí precisávamos economizar tempo para explorar o centro lisboeta – o trenzinho faz uma volta de 360 graus pelo Centro, se você estiver com pressa, vale a pena. Mas eu continuo recomendando a andada...

Ponte de Lisboa vista do Cristo Rei
Durante os dias que fiquei em Lisboa, pude conhecer gente muito simpática e cortesa e ver lugares de encher a vista. A propósito, depois de duas meninas canadenses que estavam em meu hostel me explicarem o que significa “uma cidade romântica”, eu pus Lisboa entre as 10 mais que já conheci. Uma andada pelas ruas e becos estreitos da Alfama, por exemplo, ao cair da tarde, ouvindo o som do fado português cantado do mais profundo da alma, os sobrados coloridos com roupas penduradas à janela recebendo o frio da noite, amigos, casais, moradores sentados às portas de casa ou dos cafés, rindo e se enamorando aos sons das notas melancólicas da música sentida no fundo do coração, e as noites claras de lua ou de estrelas, nos dão a sensação daqueles filmes românticos que fazem nossos olhos marearem. É como ver Collin Firth descendo as escadarias, com a multidão a segui-lo, na noite de Natal para pedir a mão de Lúcia Muniz em casamento enquanto a multidão,
Arco da Rua Augusta
encantada, o ovaciona em “Love Actually”. Ou então, sentar-se no cais do Sodré nas primeiras horas do dia ou ao pôr do sol e contemplar a luz da cidade com um café quentinho às margens do Tejo, sobre o qual também podemos passear numa barca de uma à outra margem do Rio (a caminho do Cristo Rei) sentindo o marolar das águas e o vento fresco acarinhar nossas faces – indico a experiência (mas quanto ao cais, embora seja maravilhoso, precisarei quebrar o clima de romantismo, pois é válido um alerta: uns vendedores com vários óculos nas mãos se aproximam de você e dizem: “óculos”, quando você diz que não os quer, eles “dão o doce”: “haxixe, coca, marijuana?”. Se você não se interessa pelo material, feche a cara e mande eles vazarem; se se interessa, faça o mesmo, pois, segundo vários portugueses com quem conversei, o que eles vendem é qualquer coisa, menos o anunciado. Razão pela qual eles só vendem aos turistas e porque a polícia não os prende – pois, se não vendem drogas, não podem ser presos por porte de drogas. Não existe lei em Portugal que prenda gente por vender chá e talco. Estão querendo criar uma lei para enquadrá-los, mas ainda estão no projeto. Então, esqueça os vendedores de ervas e vá relaxar pelo cais e admirar a vista, sem se esquecer de ficar atento aos seus pertences, não é o Brasil, mas a galera bate sua carteira se você vacilar.

Pastéis de Belém com um McCafé pra esquentar
Ali próximo ao Cais você encontra outro grande símbolo de Lisboa, uma maravilha arquitetônica e centenária que é o Arco da Rua Augusta.  De cima do Arco se tem uma vista magnífica (aliás, de qualquer lugar da cidade se tem uma vista magnífica, porque Lisboa é simplesmente magnífica!). Depois de contemplar a lindeza do lugar, fotografar muito, se inspirar muito, aproveite pra fazer uma boquinha. Foi por lá também, próximo ao Arco, que comi um dos melhores pratos com bacalhau da minha vida! Comer o Bacalhau ao Brás é condição sine qua non para quem está em Lisboa e nessa região, cheia de restaurantes e quiosques, você será muito bem servido – outras coisas que você não deve deixar de experimentar são as famosas francesinhas, os pastéis de nata e os doces de ovos da Confeitaria Nacional. Me deliciei com eles. Quando for à Torre de Belém,
Torre de Belém
reserve tempo para os famosos pastéis de Belém, na “fábrica” de pastéis – uma lojinha muito bem arrumada e aconchegante, porém lotada de turistas e locais, então, entre na fila, espere um pouco e coma, coma muito, pois é delicioso! Me lembro de Johann dizendo: “todo lugar que vou (Brasil, Macau...) sempre procuro pelos pastéis, mas tenho que confessar que estes são imbatíveis”, e também ajudam a nos dar a energia necessária para subir e descer as ladeiras.
 
Tuc-tuc no centro de Lisboa
E por falar em subir, o Elevador de Santa Justa, como ouvi um turista brasileiro falando enquanto esperávamos na fila, “é como se fosse o Elevador Lacerda deles”. Não tiro sua razão, pois ambos ligam as duas partes da cidade e de ambos a vista é extasiante. Prefira ir ao Elevador (português) de manhã por volta das dez ou à tarde antes do pôr-do-sol por causa do efeito da luz sobre o Tejo, suas fotos vão ficar incríveis! Depois disso, você tem duas opções: ou vai dar um passeio contemplativo pela Misericórdia e Alfama, ou vai para o Chiado e o Bairro Alto. Dependendo das suas inclinações, todas as escolhas levam à satisfação em cem por cento.

Talvez seja mesmo esta a expressão certa para terminar o post: Lisboa, para quem gosta de turistar, é a satisfação em 100%. Pois, por cá, “tudo vale a pena se a alma não é pequena”.














Aqui vão os links: 
http://g1.globo.com/jornal-hoje/noticia/2015/04/jornal-hoje-desvenda-os-segredos-dos-doces-de-ovos-portugueses.html

http://g1.globo.com/jornal-hoje/noticia/2015/07/rede-de-bondinhos-em-lisboa-atrai-moradores-e-turistas.html

http://www.projeto101paises.com.br/tag/lisboa

https://www.youtube.com/watch?v=Mw2t5q-4SLI

E, obviamente, você pode fazer como eu fiz: incluir no roteiro coisas e lugares inusitados que eu fui descobrindo ao passear pela cidade. 

Gostou? Então divulgue ;) 

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