segunda-feira, dezembro 21, 2015

Europa em 60 dias - Lisboa, Portugal - Parte I

Vista do Castelo de São Jorge, Lisboa - (foto: Johann Morriseau)
Desta vez eu comecei a planejar a viagem com dois meses de antecedência. Procurando no decolar.com por voos baratos para a Europa, pois já havia cansado de buscar por voos nacionais e encontrado valores absurdos como SSa-SLZ R$1245,00 a ida ou R900 SSa-Goiânia também só a ida. Queria viajar pelos dois meses de férias que tenho a partir do final do ano e relaxar a cabeça dos concursos para os quais tenho estudado, e, viajar no Brasil, infelizmente, é impossível para mim devido aos preços absurdos de passagens, hospedagens e alimentação – por incrível que pareça, os
 ricos viajam no Brasil e os pobres pela Europa! Bom, deixando as queixas de lado, na mesma ocasião que comecei a comprar os voos e fazer os roteiros, iniciei as reservas dos hostels (pelo booking.com http://www.projeto101paises.com.br/) e dos quartos pela airbnb – a antecedência, especialmente nos períodos de férias, faz os preços melhores e garante um lugar ao sol pra vc.


Passagens nas mãos, reservas feitas, era jogar os panos dentro da mala e aguardar o dia. Mas eu sou eu, né?! Como de costume, deixei pra arrumar a mala faltando apenas 3 horas para o embarque enquanto o pessoal no Whatsapp me chamava de maluco e minha mãe me dizia que eu “ia acabar largando o passaporte em casa”. Mas não é bem assim. Embora eu seja daqueles nossos que deixam tudo para a última hora, durante a(s) semana(s) que antecede(m) a viagem, eu vou fazendo uma lista, bem organizada, com todos os itens que preciso levar. Aí, na hora de pôr a mala em ordem, é só ler o que escrevi e tudo fica prontinho em menos de 20 minutos.

Uma última conferida na lista, tudo estando ticadinho, era meter o cadeado e partir rumo ao aeroporto Internacional de Salvador, rever aquela avenida única coberta de bambus dos dois lados lembrando os dias da IIa Guerra Mundial. Mas ninguém lembra de guerra quando está com a família no carro de olhos mareados e conversas agradáveis. Dalí pra frente era só beijar e abraçar todo mundo e cair fora em direção ao balcão da TAP – Lisboa, cá estou, pois pois!

As 8 horas de viagem de Salvador a Lisboa foram longas. Não consigo dormir quando estou em viagem, e ver filmes na telinha de bordo não faz a minha cabeça. No entanto, neste voo, eles estavam
Jantar TAP
passando vários capítulos da série “Divã”, com Lilia Cabral, uma de minha atrizes favoritas. Fui distraindo até dormir – mais ou menos dormir, porque a o voo foi muito turbulento, com direito a relâmpagos e muito, muito waka-waka. Os comissários de bordo tiveram de suspender o serviço de refeição por duas vezes. Agora pensem em vocês no meio do Atlântico, chacoalhando feito a Shakira e com a barriga roncando como o rosnar de um cachorro feroz – pânico no céu, mas no fim, sempre no fim, tudo dá certo e poucas horas depois, estávamos todos sãos e salvos em solo português com o piloto recebendo aplausos dos passageiros em êxtase de alívio por não terem ficado boiando sobre as águas negras do Atlântico.

Na saída do desembarque internacional, terminal 1 – que é onde os voos da TAP chegam -, diante do portão, vá para a direita. Ali haverá um balcão de informação, em frente dele uma casa de câmbio (sugiro que não troque dinheiro em casas de câmbio nos aeroportos), do lado desta um café bem agradável. Se não quiser informação, grana ou café com pastéis (que são bolinhos como nossas empadas ou quiches – mais ou menos), saia, siga sempre à direita e, em frente às escadas rolantes, verá três portas automáticas que te levarão ao metrô.

Mapa das Linhas do Metro de Lisboa
O acesso ao centro de Lisboa pelo metrô é muito bom, você tem linhas e conexões para todos os lugares, só precisa ficar de olho nos horários. São quatro as linhas: azul, vermelha, amarela e verde. Há também autocarros (ônibus), comboios (trens) e balsas que complementam o serviço e os quais você pode pagar com o mesmo tíquete que você comprou no metrô – uma tarifa é válida por 24 h. a partir do momento que você usou o cartão pela primeira vez – trocando em miúdos, com a tarifa de um dia, você pode andar em quase todos os meios de transporte por 24 horas, basta apenas tocar o cartão nos validadores. Eu comprei um cartão para sete dias por 42,50 euros – lembrando que você pode fazer quantas viagens quiser utilizando os serviços de transporte público integrados por 24 horas a partir da primeira validação (o cartão é recarregável em caixas eletrônicos espalhados pelos terminais do metrô (aqui pronunciado “metro”) e outros terminais.

Johann conversando com o canário
Isso feito, hora de me perder na estação. Não, não é difícil, é minha inteligência espacial que é lenta mesmo. Sempre me perco mesmo com o mapa na mão. Mas vai lá, minha avó sempre me disse que quem tem boca vai a Roma, ir ao centro de Lisboa, estando em Lisboa deve ser bem mais fácil. O problema é o receio de receber as respostas das pessoas às suas perguntas com sotaque estrangeiro nessa época tumultuada de imigrações e ocupações ilegais. No entanto, para minha surpresa, as pessoas foram SEMPRE extremamente gentis comigo, algumas delas até se importaram em me levar diretamente aos lugares onde eu queria ir, chegando a caminhar por 10-15 minutos! Bravo, Portugal!!!

Praça Camões - Lisboa
Digressões à parte, uma das pessoas que me ajudaram a encontrar meu caminho, inclusive ligando para meu hostel, foi uma soteropolitana chamada Ana, cujo filho chegou da Bahia no mesmo dia que eu. Ela está morando aqui há 8 meses já e seu menino – um rapazinho de 15, 16 anos - veio ficar com ela. Foi lindo ver a felicidade explodindo entre os dois, e mais lindo ainda ouvir as palavras de carinho em baianês “oh, neguinho de mainha, foi tudo bem?”. Mais dois brasileiros fugindo da violência que nos assola – lembro que ela me disse: “o que me faz gostar de Lisboa, entre outras coisas, é poder andar com meu celular na rua a qualquer hora do dia ou da noite sem
precisar de escondê-lo na minha roupa”. Triste verdade! Mas fiquem de olho! Há roubos em Portugal. Especialmente praticados por imigrantes do leste europeu. Eles te cercam e levam suas coisas sem você perceber, daí haver vários anúncios espalhados nas linhas de trem, metrô e elétricos te alertando sobre os “carteiristas” – a diferença é que ninguém vai te esfaquear ou te dar um tiro pra levar as suas coisas - (obs. aos seguidores de Pasquale Neto antes que me corrijam o uso de pronomes e possessivos no parágrafo em questão: eu sei a diferença entre tu/você, teu/seu J ).

Lisboa - me lembrando as ruas
de São Salvador da Bahia
A minha estação final é a Baixa-Chiado, na qual eu cheguei com um alívio maravilhado, pois, ao despontar no Largo do Chiado, me senti em casa. Era como se andasse em Santo Antônio Além do Carmo, no Pelourinho, na Ribeira... aquelas casas lindas, sobrados de 200, 300, anos, com fachadas em azulejo, as calçadas cobertas de pedras portuguesas como várias ruas em Salvador TINHAM (até um idiota de um engenheiro resolver tirá-las na restauração de alguns pontos turísticos importantes e trocá-la por cimento com pedacitos de mármore – sorte que a idiotice dele ainda não afetou o centro histórico e algumas ruas antigas) e, sobretudo, aquelas ladeiras enormes que nos levam a todos os lugares, eram simplesmente como Salvador. Aliás, o projeto de SSa (São Salvador, por isso dois “S”) era criar uma Lisboa fora de Lisboa, igualzinha, por isso tanta semelhança entre essas duas cidades. Ao encontrarem tantas colinas, tantos altos e baixos, eles devem ter tido a mesma sensação que eu, a diferença é que eles tinham quem carregasse suas malas, eu, por minha vez, tive de ir arrastando minha mala ladeira acima, nas calçadas de pedras portuguesas que eu tanto amo, fazendo um barulho enorme das rodinhas contra a brancura das pedras.

Miradouro de São Pedro de Alcântara
Meu hostel fica de frente ao Miradouro de São Pedro de Alcântara. Lugar maravilhoso, com uma vista que te deixa sem ar, e convenientemente a pouca caminhada de quase todos os pontos turísticos imperdíveis, estações de metrô e os bondinhos que levam as pessoas pelas ladeiras enormes. Mas mesmo que não fosse perto, teria valido a hospedagem só pela arquitetura do hostel e pela caminhada pelas ruazinhas da vizinhança.

Pombos tomando banho no
Largo de São pedro de Alcântara
Agora era só registrar e partir em busca das aventuras que a terrinha lusitana tem a oferecer – sobre isso falaremos em outros posts, pois este aqui já está grande o suficiente.

Gostou? Então divulgue!


Beijo e até a próxima. 

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