sexta-feira, fevereiro 26, 2016

Europa em 60 dias - Atenas, Grécia - Entre deuses e ruínas

"Epomeni stassi, ...". Dizia a gravação dentro do metrô. Ouvi essa frase tantas vezes no percurso do aeroporto para meu hotel que em menos de vinte minutos na Grécia já havia aprendido como dizer a muito necessária frase "Próxima estação". Afinal, do aeroporto internacional de Atenas até a praça Metaxourgeio, por onde fica o Hotel Neos Olympos, foram várias - várias mesmo! - estações e mais ou menos uma hora e meia de viagem entre inúmeras plantações de oliveiras e muros decorados com andorinhas.
Bandeira da Grécia na Acrópole
Quando cheguei à estação caía uma chuva leve e insistente para refrescar o calorzinho tímido que fazia àquela semana. Dos graus negativos de Berlim à tepidez bem-vinda da manhã grega fui eu andando pelas ruas. O celular tinha descarregado e, por não poder usar o Google maps, me dirigi a uma senhora que passava a fim de saber como chegar ao meu destino. Ela me olhou com aquele lindo sorriso avoternal (mais um neologismo para a coleção de vocês), entrou num restaurante, falou um monte com os homens lá dentro e voltou para me dizer exatamente como chegar.
Essas interpelações nas ruas que eu gosto de fazer
Entre o Partenon e o templo de Atenas Nike
me dão uma ideia de como são - ou podem ser - as pessoas locais. Você vê, uma senhora que entra num restaurante cheio de homens para fazer uma pergunta em favor de um estranho e todas as pessoas lá dentro parecendo estarem felizes em ajudar, mostra que Atenas é uma cidade onde eu não me sentiria desamparado caso precisasse de ser socorrido uma outra vez - pelo menos em teoria. E foi mesmo isso que eu vi por lá: gente muito sorridente, amistosa e interessada em me estender a mão. Aliás, não só a mim. Um dia desses que estive passeando nas ruas, vi um rapaz com pinta de pedinte sentado na calçada comendo biscoito e dividindo o biscoito com os pombos que se aproximavam, uma mocinha parou, olhou pra ele e seu gesto com um rosto tão completamente cheio de ternura e lhe deu dez euros. Diferente daqui, ninguém olhou pra ela com olhar de reprovação, nem ela o olhou como se ele fosse um preguiçoso ou viciado. Parecia que ali era um ajudando o outro, pois quem não podia ajudar, não simplesmente fingia que o rapaz não estava ali, ao contrário, cumprimentava-o. Essa foi a Grécia que eu vi e pela qual me encantei mais do que pelos monumentos. A Grécia dos monumentos frios e ruínas mortas era a Grécia da solidariedade e da misericórdia.

A Acrópole
Odeon de Herodes Ático
Desta vez, fiz boa parte de minhas visitas pelo metrô. Gostava de ouvir as frases em grego anunciadas nos vagões, ver os rostos multicoloridos e multiétnicos, a vida cotidiana daquela cidade de tantos milhares de anos nas imagens que via dentro e de dentro do trem. Da Metaxourgeio (próxima a qual estão vários hotéis que atendem a todos os tipos de clientes) à Akropoli são apenas quatro estações, algo como sete ou dez minutos, um tempo pouco, mas que parecia uma eternidade para quem tinha o coração ansioso por ver todos aqueles monumentos que a gente aprende a admirar desde pequeninos. Essa ansiedade, à medida em que se vê a luz no painel indicativo se aproximando da Cidade Alta (Akro = alto; Polis = cidade), só ia aumentando. E mesmo depois de ter saído do vagão, a expectativa vai se alargando ao nos depararmos com as estátuas e objetos retirados das escavações pelas vizinhanças e postos em todo entorno para não nos deixar esquecer onde estamos. Na saída, (lê-se exodus), pegando a esquerda, pela rua Dionísio Areopagita, vamos parar no Museu da Acrópole, no Teatro de Dionísio (o mais antigo do mundo), Panteão de Herodes Ático, Areópago e aos pés da parte sul da Acrópole (por onde subimos a ela); à direita vamos à Porta de Adriano e ao templo de Zeus Olympos, ou ao à Praça Monastiraki, no Plaka District (depois de pegar a direita, segue reto por uns dois minutos. À sua esquerda, atravessando a pista, se encontram a Porta de Adriano e o templo de Zeus Olympos; à direita caminha-se por uma avenida de lojas e restaurantes até à Praça Monastiraki).
Anfiteatro de Dionísio
A rua Dionísio Areopagita é um lugar lindo, limpo e seguro onde centenas de locais e turistas passam todos os dias a caminho da Acrópole e outros monumentos. Onde podemos ouvir gente cantando e tocando música popular grega ou internacionais em troca de uma gorjeta. Dela, olhando a sua direita, o Partenon se impõe magnífico por sobre o bosque de oliveiras e pinheiros. Aí, antes de subirmos as escadarias que nos põe de frente ao Anfiteatro de Herodes Ático, é preciso fazer uma pausa. Me sentei num dos vários bancos pelo caminho e simplesmente senti o ar fresco que corria entre as oliveiras a ouvir o canto sereno e tímido das cotovias e pensar em tudo o que lera sobre história e guerras antigas e a Grécia dos deuses e heróis. Mais uma vez aquela sensação maravilhosa de ter a história diante dos meus olhos me envolvia todo e me emocionava, quase ouvia Chico Buarque cantar: Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas...
Da  Acrópole, estrategicamente posicionada em um dos pontos mais altos da cidade, pode-se ter uma visão em 360º graus de Atenas. A vista é extasiante! Passei horas contemplando o lugar, pesquisando os dados históricos e conhecendo gente, inclusive dezenas de brasileiros. Acho que Atenas - depois de Dublin e Coimbra, nessa ordem - foi o lugar onde mais encontrei turistas brasileiros.
Bem, enquanto fazia uma boquinha sentado nos degraus próximos ao Monumento de Agripa, a movimentação sobre uma colina de pedra chamou minha atenção. Fiquei curioso em saber o que era aquele lugar e por que havia tanta gente lá se a melhor visão da cidade era da Acrópole. 
Quase terminando o dia (a visitação aos monumentos no inverno é encerrada às 14:45), fui ao local que
Inscrição no Areópago
tanto me interessou. Assim que cheguei, a placa me disse do que se tratava: AREÓPAGO - A Colina de Ares, o deus da guerra. Entrei em choque! Foi exatamente ali que aconteceu um dos episódios que mais me impressionavam na cultura da filosofia ocidental. Um dia, o apóstolo Paulo foi levado pelos epicureus e estoicos até aquele exato lugar para que lhes explicasse a doutrina do cristianismo nascente. Paulo então, cheio do espírito real do cristianismo (tão diferente do circo que esses páreas mercantilistas fazem hoje em dia! Opa! Lá vou eu politizando de novo), subiu à parte mais alta do Areópago e começou o seu discurso que converteu até Dionísio, o Areopagita (se lembram do nome da rua?), iniciando assim o cristianismo grego. Me pus de pé na parte mais alta que há agora e contemplei a cidade, a Acrópole, as pessoas fumando e bebendo e fotografando ali. Me veio à lembrança o discurso de Paulo: Senhores atenienses, (...)" e agora a parte que me fascinava: "(...) Vos anuncio o Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe e que não habita em templos feitos por mãos de homens, nem é servido por mãos humanas, como se precisasse de alguma coisa (...) e que não está distante de cada um de nós, pois nele vivemos, nos movemos e existimos (...) não devemos pensar que ele é semelhante ao ouro, ou à prata ou à pedra, trabalhados pela arte e imaginação do homem". (Atos 17).
Extasiado pela lembrança, me sentei, liguei a música do meu celular e fiquei lá, esperando o pôr-do-sol de inverno sobre aquela cidade idólatra, linda, fascinante. Enquanto ouvia minha Bossa Nova e deixava o vento friozinho me beijar a face e gelar minhas orelhas, uma família se aproximou de mim. Aquele sotaque lindo, aquela cadência soteropolitana nas frases! Cazuza cantando "Faz parte do meu show" e eu ali, em pleno Areópago conversando com meus conterrâneos sobre nossas viagens pelo mundo, vasto mundo, e tão pequeno mundo que saímos daqui e lá nos encontramos para um bom papo e algumas fotos! O André e sua esposa estavam visitando a filha que estuda em Budapeste (meu próximo destino!) pelo Ciências Sem Fronteiras, e resolveram dar uma esticadinha por outros lugares, haviam acabado de chegar e foram diretos para ali.
Pôr-do-sol do Areópago
Passariam mais um dia e voltariam para a Salvador querida, como ele me disse: "Sabe, Márcio, essa viagem serviu para me fazer gostar mais ainda do Brasil. A gente tem tudo lá. Você chega no controle de passaporte dos aeroportos e esse pessoal te faz mil perguntas, como se a gente fosse trocar a Bahia, o Brasil, por esse mundinho aqui. As frutas não têm cheiro; tem lugares onde a gente foi (Israel), onde, pra entrar na praia, você tem de pagar; na Áustria é tudo escuro, tempo horroroso, etc. Estou mesmo é com saudade da minha Orla azul e da minha comida". Ponto pra você, André, e 0 para os brasileiros que imigram (ilegalmente) para o exterior e, ressentidos de terem de dar o sangue, trabalhando feito escravos em correntes e sendo vítimas de preconceito, detonam seu país nas rodas de jantar com os estrangeiros - como vi no meu hostel em Lisboa - para se sentirem menos humilhados pela escolha que fizeram e condições em que se encontram (mas essa é outra história).
Meus conterrâneos se foram, e eu fiquei ali, sozinho com minha música e minhas ideias, pensando no choque que as palavras de Paulo causaram nos gregos, ali, naquele lugar cheio de templos de deuses e imagens de escultura às quais os atenienses adoravam, imagens de homens feitos deuses. Precisava de ter muita coragem e ser muito intrépido para fazer isso. Correndo o risco de ser jogado dali de cima mesmo, de ser apedrejado, ele falou daquilo em que cria - essa atitude dele foi o que sempre me fascinou; a certeza do que ele dizia a ponto de colocar a própria vida em risco sempre me fascinou. E agora eu estava ali, contemplando a cidade que ele contemplou e os templos e deuses dos quais ele falou. Não tem preço!
Meus conterrâneos já estavam longe e eu continuei lá, esperando o sol sumir no horizonte enquanto um grupo de mexicanos gritava "Padrísimo!" ao conferirem o resultado de suas fotografias.
Pôr-do-sol desde o Areópago
Plaka District, Praça Monastiraki, Porta de Adriano e Templo de Zeus Olympos. 

Plaka District
O Distrito de Plaka é um bairro histórico ocupado desde a Antiguidade, por causa de sua proximidade com a Acrópole e vários templos das imediações, também é chamado de Distrito dos Deuses. Se você quer comer, beber, encontrar pessoas, fazer compras que variem de um delicioso gyros à colares de pedras preciosas à pênis de madeira de todos os tamanhos e diâmetros expostos nas vitrines, este é o local que você não pode deixar de conhecer. Andando pelas ruas e vielas estreitas entre casas em padrão neoclássico e ruínas históricas, você não sabe para onde olhar. Lá há de tudo! Ele se localiza entre a Praça Monastiraki e a Praça Sintagma (outro lugar imperdível). Caminhar pelas ruas é sentir o aroma de azeite de oliva, cordeiro, perfumes... e o melhor de tudo é que de lá, pode-se fazer uma visita a vários sítios históricos como a Porta de Adriano e o Templo de Zeus Olympos numa extremidade e a Praça Monastiraki e Biblioteca de Adriano da outra, por exemplo.
Templo de Zeus Olympos e Acrópole ao fundo
Comprando o ingresso de 12 euros para visitar a Acrópole, pode-se visitar também o templo de Zeus Olympos e a Porta de Adriano, que ficam bem próximos um do outro - o ingresso vale por 48 horas. O lugar é interessantíssimo pra quem gosta de história, ruínas e paz. Eu me sentei lá e fiquei contemplando a linda visão da Acrópole, as colunas imensas do templo de Zeus Olympos e me divertindo com um grupo de estudantes adolescentes dos EUA que estavam lá com o professor de história, e, claro, peguei a ponga deles e fiquei ouvindo a palestra, né! O mundo é dos sabidos, já disseram por aí.
Quando você fizer a visita, lembre de algo muito curioso em relação à Porta de Adriano, o cara que botou moral por lá: há duas inscrições sobre o arco, uma na parte ocidental e outra na parte oriental. A primeira diz: Esta é Atenas, a antiga cidade de Teseu; a segunda diz: Esta é Atenas, acidade de Adriano, não de Teseu! A Porta foi construída entra os anos de 131 e 132 da Era Cristã.
Porta de Adriano
O templo de Zeus Olympos, por sua vez, tem uma história mais interessante. Foi construído a partir do ano de 515 antes de Cristo, como forma de
Plaka District - Atenas
agradecimento a Zeus por livrar o imperador Deucalião, do dilúvio que o próprio Zeus havia mandado para destruir a raça humana por causa de sua grande maldade na Idade do Bronze . Deucalião e sua esposa Pirra foram poupados por serem as únicas pessoas boas na face da terra. Resultado, aconselhado por seu pai, Prometeu, Deucalião fez um barco de madeira e pôs as provisões necessárias para os dias sobre as águas. Depois de nove dias passados, as águas baixaram e todos foram felizes (até certo tempo! - afinal, estamos falando de mitologia grega, não de contos de fadas: tragédias, comédias e mais tragédias). A história soa familiar?
E por falar em águas, pode-se também ver ruínas das famosas termas romanas entre o templo de Zeus Olympus e a Porta de Adriano. Recomendo o passeio e o piquenique.
Praça Monastiraki
Mas, não querendo fazer um piquenique e sim experimentar o que a culinária grega tem de melhor, atravesse a rua e vá em direção à Praça Monastiraki. Por lá você encontrará restaurantes maravilhosos, cafés, lanchonetes que servem gyros e uma sorveteria italiana maravilhosa! Se preferir comprar um gyros ou uma merenda, quando for comer sente-se na praça e contemple a vista - mil vezes melhor que ficar dentro de um restaurante fechado. Você está na Grécia! Vá ver o sol! Apenas fique de olho nos seus pertences, pois há pessoas, especialmente imigrantes, que estarão lá esperando o seu vacilo - pode crer.

Anafiotika - um pequeno hiato

Quando estiver no Plaka District, aproveite para dar uma chegadinha em Anafiotika, um bairrozinho simples e muito elegante que começa na Rua de Adriano. A história desse lugar é bem interessante. Inicia-se quando o rei Otto manda trazer construtores da ilha de Anafi para restaurar o palácio dele. Depois, foram chegando trabalhadores de outras ilhas, especialmente das Ilhas Cicládicas, que foram se instalando lá, e à noite, começaram um trabalho intenso de  construção de suas casas no estilo das ilhas. Essa "favelinha" se tornou um dos lugares mais charmosos da atual Atenas e vale a pena visitar não só pela vista ou pelo estilo das casas, mas também pelos moradores que são sempre muito gentis e, se você for um cara carismático como certos baianos que eu conheço, é bem capaz de um morador te chamar pra um bate-papo e um delicioso vinho (ou cafezinho). Eu me apaixonei pelo lugarzinho e pela hospitalidade das pessoas que encontrei enquanto fazia minha visita por lá.

Troca da Guarda - Evzones

No meu último dia em Atenas eu aproveitei para ver a troca da guarda do Parlamento. Os Evzones - significando "de bela cintura", um termo de honra desde tempos homéricos -, são de imensa importância histórica para os gregos. Hoje a guarda é formada por voluntários do exército que têm de cumprir alguns requisitos mínimos para poderem ser Evzones, tais quais ter pelo menos 1.87 de altura e ter servido ao exército por pelo menos seis meses.
Os trajes típicos dos Evzones é o que mais chama a atenção. A indumentária reproduz o fardamento dos Klephts, gregos que viviam retirados nas montanhas durante a ocupação turca da Grécia e que foram os responsáveis por definitivamente livrar o país do domínio otomano. O melhor dia para ver a troca da guarda, que ocorre exatamente de hora em hora (à hora precisa: 10, 11, 12...), é aos domingos, quando há um desfile de toda a tropa junta e depois a troca da guarda.
O Parlamento fica sobre a Praça Sintagma. Ao sair da estação, sobe-se as escadaria à direita e daí é só atravessar a rua.
Árvore de Natal na Praça Sintagma - Atenas
Após a troca da guarda, voltei para a praça Sintagma e fui caminhando até à Praça Monastiraki para fazer uma boquinha num restaurante-café muito bacana chamado Maiandros, onde o garçom, quando soube que eu era brasileiro, me deu todos os nomes dos jogadores da Seleção de 1982 e me disse que aquela tinha sido a maior seleção brasileira de todos os tempos, trocou algumas palavras num português bem engraçado e pediu pra eu voltar sempre. Recomendo o restaurante! Além da simpatia dos garçons, a comida é muito boa e barata, o lugar é limpo, seguro e bem na saída da Monostiraki - bem à mão mesmo. Este é o site deles: http://www.maiandros.com.gr/

Barriguinha cheia, voltei caminhando por aquelas ruas cheias de gente, cheias de cheiros, cheias de lojas de artigos caríssimos e baratíssimos. Me lembrei da senhorinha simpatissíssima com quem comprei uns imãs de geladeira, uns vazinhos de louça (que deixei no hotel pra não pesarem minha mala modelo Ryanair com peso de 10 kg máximos!) e uns chaveirinhos de souvenir (na rua que fica entre a Acrópole e a Biblioteca de Adriano). Pensando que eu era italiano, degringolou a falar nessa língua comigo tentando me persuadir a comprar todos os
Plaka District
produtos da loja, numa maestria incrível de vendedora. Eu, que iria apenas comprar um chaveiro para a coleção do meu concunhado, acabei comprando várias outras coisas - não, ela não me seduziu pela lábia, mas por uma frase apenas. Quando eu lhe disse, "eu vou comprar apenas um chaveiro, mas tenho certeza que outros turistas virão aqui porque os seus produtos são muito bonitos", ela me disse: "Oh, filhinho, olhe ao redor, está vendo quantos turistas estão passando? agora olhe dentro das lojas. Eles vêm aqui e não entram, nós não vendemos". Partiu meu coração ver aquela velhinha precisando vender e eu ser, pela meia hora que lá fiquei conversando com ela, a única pessoa que entrou e comprou. Na hora de ir embora eu lhe disse que não era italiano, era brasileiro. Ela me olhou, me disse "obrigada e estou feliz", em português mesmo, e me deu um beijo tão avozildo na bochecha que eu quase gastei o resto do meu dinheiro para os próximos trinta dias naquela loja - quase!
A Caminho do Aerodromio (Aeroporto) El. Venizelos - o susto!

Igreja de Panaghia Kapnikarea
Atenas vai ficar para sempre guardada em minha memória como um lugar vibrante e cheio de monumentos lindos e importantíssimos para a história e cultura mundiais. Mas especialmente como um lugar de gente muito humana e acolhedora. Talvez por isso os momentos antes de partir tenham sido meio tristes - agora eu ia pra um lugar onde todo mundo me dizia que as pessoas eram sempre rudes e de pouca conversa. Cheguei à varanda do meu quarto, olhei a cidade de cima mais uma vez, contemplei o céu e naquela cidade de tantos deuses, agradeci ao meu, que também era o de Paulo, porque tudo tinha ido muito bem e porque eu tinha tido aquela maravilhosa oportunidade de ver com os meus próprios olhos o que os livros de história e mitologia tinha gravado em minha mente. Peguei minha malinha e fui descendo a escadaria daquele prédio de estilo clássico, vendo aquela decoração linda, e suspirando. Mas é isso aí, um dia, amigo, eu volto pra te
Street Dance na Avenida Ermou - Atenas
Praça Sintagma - Atenas
encontrar, quem sabe. Me despedi do velhinho da recepção com quem bati altos papos e andei até encontrar a estação. No trem, sentei, e voltei a escutar as dezenas de "Eponi Estassi". De repente, o metrô parou, todos saíram, as luzes se apagaram e a voz nos meus ouvidos deixou de falar. Olhei pra um lado, pro outro, um monte de gente em pé fora do metrô e eu com cara de menino amarelo sem saber o que fazer. Uma moça, vendo minha cara, me disse em inglês: Não se preocupe, o trem para por alguns minutos e daqui a pouco a gente segue para o aeroporto. Agradeci, ela se afastou, eu me encostei na parede e um rapaz começou a puxar conversa comigo em inglês. Era um mochileiro chileno que estava viajando a Europa com um amigo também chileno (porque, pelos preços, é impossível viajar na América do Sul) pela primeira vez. Aliás, era a primeira vez que ambos saiam de sua cidadezinha ao sul do Chile para desbravar o mundo. Estavam encantados, um deles, o Felipe, quando soube que eu era brasileiro, me falou de um músico brasileiro chamado Roosevelt Rodrigues que está fazendo muito sucesso no Chile, parece que participou de um programa tipo Ídolos e mandou ver. Depois procurei os vídeos dele no youtube, vi o do programa de TV e o achei muito bom cantor!
Me despedi de meus novos amigos e fui caminhando pelo aeroporto para o meu portão de embarque com o coração pesaroso por deixar Atenas, sentindo já uma saudadezinha leve no peito. Enquanto andava, parei por alguns segundos a escutar João Gilberto cantando "Chega de Saudade" pelos auto-falantes do Aerodromio de Atenas - ouvir um baiano cantando em português no aeroporto da Grécia! E concordei com ele. Isso aí, João, você está certo! Nada de saudade, o mundo é vasto! #partiubudapeste!

Gostaram? então divulguem!



segunda-feira, fevereiro 15, 2016

Europa em 60 dias - Berlim, Alemanha

Berlim
Berlim
Do alto a Alemanha parecia uma daquelas cidadezinhas que a gente vê nos filmes de época natalina: toda branquinha, campos e fazendas cobertos pela neve, rios congelados, ruas que se confundiam, pela cor, com as casas e pastos. Apesar de todo esse frio que fazia lá fora, eu sentia meu coração queimar de alegria em ver tanta neve pela frente! Eram mesmo rios de neve em "lava" convertidos dentro de mim - se Gregório me permite a paráfrase. Já tinha estado na neve em Dublin e em Bucareste, mas nunca tinha visto aquele espetáculo diante dos olhos, parecia, do alto, meu congelador sem o frost-free - um espetáculo que eu descobriria brevemente que poderia ser duro, muito duro pra um rapaz latino americano sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindo de Salvador.
Catedral de Berlim - Berliner Dom
Desembarquei empolgado com a vista de dentro do avião e corri ao saguão do aeroporto Berlin-Schöenefeld a comprar os bilhetes de metrô para caminhar pelas ruas do centro o quanto antes - o balcão fica do lado direito de quem sai do desembarque, no final do saguão. Pode-se comprar o bilhete para horas ou dias. Eu comprei o ticket para três dias, que era o tempo de minha estadia na capital Alemã.
A senhora que vendia os bilhetes - uma graça! - falava comigo num samba do crioulo doido linguístico misturando inglês, espanhol e alemão.  De toda aquela verborreia que me fez lembrar um personagem de Umberto Ecco, eu consegui capitar que meu bilhete valia por 3 dias, que eu deveria validá-lo antes de entrar no metrô (para não pagar multa); que deveria sair do saguão e correr em direção ao terminal que fica à esquerda da entrada porque o trem partiria em cinco minutos e me deixaria na FriedrichStr. 
Berlim
Saí correndo puxando minha malinha padrão Ryanair cujas rodinhas se prendiam na neve, enquanto o vento gelado queimava minhas bochechas e minhas mãos. Ia na pressa, rezando que as portas do trem se abrissem para me esquentar, sorrindo com um riso congelado na cara pela graça de ver que a neve tão desejada podia ser bem escrotinha com os tropicálias aqui. Mas é como dizia minha avó: Não há bem que sempre dure, nem mal que nunca se acabe. Dentro do trem, em direção ao centro de Berlim, meus pensamentos se acalmavam, minha face voltava a ter sangue e minhas mãos, dentro do bolso, começavam a se esquentar, lentamente. Olhava pela janela e tudo o que via era a neve e o gelo e as pessoas cobertas e eu pensando que a roupa que eu vestia não ia dar conta do recado. Fiquei tão noiado naquilo que não percebi o agente do metrô, com cara de paisagem, me pedindo para ver meu ticket. Ele, talvez percebendo meus devaneios, disse qualquer coisa em alemão, com aquele som brabo típico da língua, parecendo que me xingava - talvez o fizesse -, me trouxe de volta ao trem. Mostrei o bilhete, ele disse "danke", eu disse "bitte" e voltei a contemplar o mundo frio pela minha janela. 
Rua próxima à estação Friedrichst.
Bom, Berlim era uma cidade onde eu não teria amigos para me receberem na estação, me darem um abraço apertado e me convidarem para um café quente e cuja língua eu conhecia apenas de passagem por um mês aos meus quinze anos. Mas era bela e me esperava com uns braços meio-abertos pelo frio que fazia. Eu já conhecia meu caminho pelo roteiro no Google maps, mas ao desembarcar, fiquei um tempinho tomando coragem pra sair da estação onde aproveitei pra tomar um chocolate quente, depois outro, depois outro e sentir meu corpo revigorado naquela estação pequenina, mas que tinha umas lojinhas, um mercado, uns fast-foods para os viajantes solitários e muita gente para cima e para baixo com quem eu poderia puxar conversa. Encontrei um grupo de chineses que estava no mesmo "barco" que eu e começamos a falar de nossas viagens. Um deles me surpreendeu falando da novela A Escrava Isaura. A versão da década de 70 com Lucélia Santos fez um sucesso monstruoso por lá e aparentemente até hoje a doce Lucélia é um hit entre eles. 
Portão de Brandemburgo
E daí a conversa durou por quase uma hora. Mas, alguns chocolates quentes depois, Lucélia Santos se tornou uma lembrança querida enquanto eu caminhava novamente no frio e no gelo, puxando minha malinha com as rodas que se prendiam na neve fofa e minhas mãos iam ficando queimadas pelo tempo - queimadas mesmo! Nesse ínterim me surpreendi com um rapaz que estava sentado sobre a ponte pedindo esmolas. Um frio lascado e ele lá a mendigar umas moedinhas. Parei diante dele e perguntei em inglês como ele conseguia aquela façanha. Ele me olhou e me disse pronta e simplesmente: "Quando a gente precisa, nada é tão difícil". Olhei pra ele, olhei pra minha mala, minhas mãos, dei umas moedas que estavam no bolso e fui andando ao som do seu "danke sehr". Essa frase, por sinal - especialmente a outra versão, "danke schön" - foi muito ouvida por mim pelas ruas de Berlim.Os alemães me pareceram extremamente gentis e atenciosos, sempre querendo ajudar, mesmo quando eu não pedia por ajuda - e eu preocupado por não ter amigos na cidade! - bah!
Grande Sinagoga - Berlim

O tempo passa, o tempo voa
O que se faz quando se chega no hostel antes da hora do check-in e não se pode ir para o quarto numa cidade desconhecida e gelada? Eu fui para a área de jantar e fiquei lá na Internet lendo meu roteiro para o dia. No calorzinho de um café quente. Porém, do Generator Berlin Mitte para as principais atrações da cidade é apenas um pulo. Daí, resolvi fazer valer o tempo de espera e fui passear. Afinal, só ficaria na cidade por três dias. O primeiro lugar a visitar seria a Grande Sinagoga Judaica que estava a apenas dois ou três minutos de caminhada, e de lá fui andando até onde o sol me permitiu - o sol estava se pondo antes das 17. 

Andar por aquelas calçadas me fez pensar em todas as aulas de história das guerras mundiais. Pensar na ofensiva britânica por aquelas ruas, nas forças de Hitler prendendo e matando todos os que não eram "arianos", na tomada da cidade e em sua divisão em dois blocos políticos, e agora ali, estar naquela cidade pacífica, de gente corteza e amistosa parecendo cumprir a palavra que Helmut Kohl empenhara quando da
Marco do Muro de Berlim
Marco do Muro de Berlim

queda do Muro de Berlim, foi um dos belos momentos que nos são dados quando viajamos pelo mundo. Especialmente, no caso da Alemanha, quando pensamos que a cidade de Berlim como a conhecemos hoje, reunificada, embora tendo sido pisada por vários reis, imperadores, e afins por tantos séculos era mais nova do que eu. Ao chegar no marco onde começava o Muro, me lembrei da cena da época em que Pedro Bial era um jornalista sério e correspondente da Globo na Europa, transmitindo para o Brasil a queda do paredão que tinha despedaçado uma nação e separado tantas famílias. Parei ali adiante, fiz minha reverência aos que se perderam e continuei por minha busca turística. No caminho, passei pelo Monumento à Memória dos Judeus Assassinados da Europa  durante o Terceiro Reich. Parar ali
Monumento à Memória dos Judeus Assassinados da Europa 
, naquele monumento que toma um quarteirão inteiro, ao lado daquelas lápides de pedras de tamanhos variados é ter ao mesmo tempo raiva e compaixão, dor e alívio, guerra e paz. O concreto que se ergue como se fossem jazigos nos traz de volta uma parte da história que dói por dentro por pensarmos no mal tão grandioso que o ódio, o racismo, os pré-conceitos podem causar e nos leva a refletir sobre ele e ter a esperança de que a bestialidade humana talvez tenha solução. Pois ali próximo desse monumento - que pode ser visto até do céu - está o bunker onde Hitler supostamente morreu. O bunker jaz enterrado sob um estacionamento, escondendo a vergonha que o país tem daquele que foi seu líder e é falado apenas pelos guias turísticos e historiadores. 


Porque caminhar abre o apetite
Árvores abandonadas em frente ao Mall of Berlin
Sempre me disseram que para a falta de fome tem-se o caminhar. Minhas andanças por Berlim me provaram que o ditado estava certo. Para minha sorte, como as outras capitais que visitei, no centro de Berlim tudo está próximo: monumentos, lojas, restaurantes e parques. Continuei a andar pelas ruas, passei por uma chamada Hannah Arendt e pelo caminho fui vendo as árvores de natal jogadas como entulho na esquina. Me disseram que a razão das pessoas se livrarem dos pinheiros é que eles podem, se juntos a uma fonte de calor, causar incêndios nas casas. Cortam-se os pinheiros, usam-nos por 20 dias e depois os jogam fora - e assim as árvores morrem, solitárias e esquecidas nas ruas alemãs. 
No shopping ali perto comi um falafel tão bom quanto o do Às do Falafel, em Paris. Num restaurante
Boussi Falafel
simples, gerenciado por um rapaz muito gente boa e supercurioso sobre o Brasil e nossas tradições, sobre minhas viagens e sobre minhas impressões dos países que visitei. Conversamos tanto que quase esqueci minha fome. Sorte que ele me lembrou e eu caí matando naquele wrap delicioso de trigo, legumes, verduras e molho. Está aí um lugar que recomendo a todos, tanto pela simpatia do atendente quanto pelo valor e sabor da comida. O Boussi Falafel fica na área de alimentação do Mall of Berlin e vale muito a pena visitar. 
Mall of Berlin
Enquanto estava no shopping, também aproveitei para fazer umas compras na C&A e comprei umas roupas superbaratas e com tecido melhor do que as que temos por aqui - pelo menos eu espero que seja. Sério isso, né?! No Berlim Mall há todas as lojas de grife com valores (pelo menos em janeiro) super em conta - Uma camisa da Levi's me custou 15 euros (aqui no shopping perto de casa ela custa 90 e poucos reais) e ainda me rendeu uma conversa com uma vendedora alemã de origem caribenha muito gente boa - pele morena dourada, olhos azulíssimos e cabelos encaracolados! Linda! 

De volta ao Generator Berlin Mitte
Alte Nationalgalerie
Depois de tanto andar e satisfazer meu estômago com o delicioso rango do Boussi Falafel eu finalmente pude voltar ao hostel - detalhe é que fiz tudo andando, não precisei do metrô nem dos ônibus pra passear o dia todo por Berlim. Meu quarto era misto, mas só tinha eu de homem e mais cinco garotas, uma de Manaus que estava com o Ciência Sem Fronteiras estudando na França, e quatro inglesas de Manchester. Quando essa mulherada me viu entrar foi um Deus-nos-acuda. Eu, todo feliz por ser o centro de suas atenções, mantive o sorrisão ensimesmado até a primeira pergunta: onde você comprou essa camisa linda? Sentei na cama e fui mostrando minhas aquisições aos sons de "oh", "ah" "that's BEAUTIFUL" com o sotaque de Manchester.  

Um dia no museu
Escultura em frente ao museu Bode 
Perto do hostel está o Museum Island. Uma verdadeira ilha com prédios de estilo gótico e clássico abrigando quatro dos principais museus da Alemanha: o Bode, O Pergamon, o Neues, o Altes e a Galeria Nacional de Arte. Essa é uma atração imperdível para quem gosta de um tour cultural e histórico. Obviamente as peças mais importantes do
Chapéu de ouro de Berlim
Peças da Idade do Bronze - Bode Museum
mundo antigo são encontradas no Louvre, no Museu do Vaticano e no British Museum, mas mesmo assim, a visita pela Ilha dos Museus vale a pena. No Pergamon, por exemplo, pode-se ver as reconstruções do Portão de Ishtar (sec. 6 a.C.), Da Fachada do palácio do Califa Mshatta (743-44 A.D.) e Portão do Mercado de Mileto (100AD). Obras de tirar o fôlego! Outra peça interessantíssima é o busto da rainha Nefertite que se encontra na Galeria Nacional Alte (dela não se pode tirar fotos) e o chapéu de ouro maciço, no Neues, que era usado apenas pelos sacerdotes em ocasiões festivas na Europa Antiga e era de uso astronômico, cunhado de vários motivos celestes como o sol, a lua, raios, talvez até prevendo eclipses lunares. Apenas três desses chapéus foram encontrados na Europa, um na Alemanha e dois na França. O chapéu de ouro de Berlim data de 1000 a.C. Impressiona! Peças exclusivas desses museus. Sem contar com os inúmeros quadros de pintores alemães e peças encontradas pelas terras germânicas. Objetos da Idade do Bronze e anterior; moedas desde a primeira cunhagem até o Euro, etc. Eu precisei do dia inteiro para ver tudo, e posso garantir que é um programa mais que legal, especialmente num
Portão do Mercado de Mileto - Pergamonmuseum
dia de frio e neve. 
Comprando o bilhete completo - 18 euros -, pode-se visitar todos os prédios. A visita dá direito ao áudio. Lembre-se de pedir a gravação, pois algum funcionário pode pensar que você não a quer. 
Para mais informações, visite: www.smb.museum 

Bye-bye, Berlim
A Berlim do novo e do velho, da neve e do sol, estava indo ficar nas lembranças, nas fotos, no post do blog e nas músicas de Lou Reed e David Bowe da minha coleção. Deixei Berlim numa madrugada fria e de céu lindamente estrelado. Agradecido porque a neve havia derretido e as rodinhas da minha mala não estavam se prendendo no caminho. As ruas não estavam tão agitadas como as de Madrid, mas entre o hostel e a estação havia algumas pessoas festivas e faladoras passando apressadas pelo frio e me dizendo "Auf Wiedersehen" ao que eu respondia "Tschüss" e ia andando, os olhos sempre no céu, lembrando da música de Bowe: "Had to get the train from Potsdamer Platz (...) a man lost in time". Enquanto a beleza do céu noturno no inverno do hemisfério norte me fascinava - na verdade o céu e as estrelas lá ou cá me fascinam! mas numa noite fria de inverno ele parece muito especial, sobretudo quando se vai andando e lembrando de boas canções. 
Cheguei à estação à uma hora, pois eu sabia que os trens rodavam a noite toda no fim de semana. No entanto, para minha surpresa, o trem para o aeroporto passaria apenas às 4:30 (fiquem atentos). Pronto, serviu pra me deixar agoniado, pois tinha de estar no Berlin-Schönefeld às 3. Tive de tirar o
Deutscher Dom - Gendarmenmarkt - Berlim
escorpião do bolso e ir pegar um táxi, deixando de usar o meu ticket já comprado para os 3 dias e pagando 50 pilas na corrida de táxi - fica a experiência e o bolso doendo. Mas, pra todo ônus tem-se um bônus.  Ao sair da estação, dei de cara com o Billy Mack de "Simplesmente Amor", pensei que ele ia sair cantando "I feel it in my fingers, I feel it in my toes, Christmas is all around me, and so the feeling grows...". Obviamente não era o Bill Nighy, era um taxista, mas totalmente igual, até na risada roncante. Um coroa alemão superdivertido, que foi da FriedrichStr. até o Berlin-Schönefeld me contando a história de sua vida e da sua cadela Doris. Vale dizer que ele viveu dez anos em Portugal e agora estava de volta a Berlim para ganhar dinheiro, pois, segundo ele, a vida em terras lusitanas não estava para grana. Lá em Portugal ele trabalhava como taxista e estava construindo uma casa no campo, cercado de árvores e quase sem vizinhos onde ele queria ir para passar os últimos dias de sua vida. 
Chegamos ao aeroporto, Billy Mack me desejou felicidades e em bom português me disse: nos vemos em Portugal qualquer dia. E foi-se, pelas ruas escuras e frias de sua velha Alemanha, ganhar dinheiro pra ir morar nos campos verdes portugueses até o fim de sua vida, com sua cachorrinha Doris ao lado. Viel Glück!

Entrei no aeroporto, pus minhas malas de lado e fui esperar a Ryanair abrir o check-in para Atenas. Lá fora o vento soprava, frio e solitário, tirando as últimas folhas que insistiam em ficar nas árvores quase nuas. 

O que Visitar em Berlim - roteiro de três dias

Portão de Brandemburgo: Cartão postal de Berlim, tem importância histórica, artística e política. Fica bem no centro de Berlim e é próximo a vários pontos de interesse turístico .

Checkpoint Charlie: Um dos postos militares que dividiam as
Mural no Reischtag
duas Alemanhas. Fica bem no centro da cidade e é interessante para quem gosta de história.

Gendarmenmarkt: Considerada uma das praças mais bonitas da cidade, encontramos aí a Casa dos Concertos e duas catedrais

Memorial do Holocausto e Museu (o museu fica no subterrâneo. Tem-se de pegar o elevador para descer):

Reischtag: o prédio do Parlamento Alemão, é um edifício monumental e aberto à visitação.

Ilha dos Museus: já falamos sobre ela

Alexander Platz e Torre de TV: Um dos lugares mais movimentados de Berlim, há vários lugares para compra e uma das mais frequentadas estações da cidade. Da torre, têm-se uma visão de 360 graus da capital

Gelo no rio Spree
Muro de Berlim: A chamada East Side Gallery é um dos lugares onde ainda se pode ver parte do muro em pé. É uma galeria de arte a céu aberto (vá também ao memorial do Muro de Berlim).

Catedral de Berlim: belíssimo prédio em frente ao rio, tem uma praça maravilhosa ao redor. 

Kulturforum e Potsdamer Platz: Área de grande beleza

arquitetônica e histórica, abriga alguns dos mais interessantes prédios modernos da cidade tais quais a Biblioteca de Berlim, a Filarmônica e a Chamber Music Hall, e o Neue Nationalgalerie.

Martin-Gropius-Baun: Um museu em estilo renascentista que sempre tem exposições, concertos e eventos culturais de diversas vertentes

Gostou? então divulgue.
Beijos e até a Grécia!